Em Roraima, a combinação da seca severa e dos incêndios florestais vem gerando sérios desafios para os apicultores locais. A falta de chuvas e o aumento das temperaturas têm impactado diretamente a floração das plantas, essencial para a alimentação das abelhas. Sem flores, os insetos não conseguem encontrar néctar e pólen, o que resulta em uma queda drástica na produção de mel.
O apicultor José Pinheiro, que reside na zona rural de Boa Vista, compartilha sua experiência dolorosa. Ele viu parte de seus enxames migrar em busca de melhores condições, o que o levou a reduzir suas caixas de captação. O resultado disso é alarmante: sua produção caiu de cinco toneladas para apenas uma. “É desolador ver tudo isso acontecendo”, desabafa José.
A vegetação do lavrado roraimense, que seca rapidamente, amplifica a ameaça dos incêndios. José menciona que, quando o fogo se alastra por essa área, é praticamente impossível apagá-lo. “As labaredas são intensas”, lamenta.
Outro apicultor, Anderson Freitas, também enfrenta perdas significativas. Ele perdeu mais de 20 caixas de abelhas quando um incêndio, que teve início por conta de um carro que encostou na vegetação seca, devastou sua propriedade de 200 hectares. “É angustiante ver tudo se perder e não poder fazer nada”, recorda Anderson, que teve que priorizar sua segurança durante a tragédia.
Além dos apicultores, os agricultores da região também sofrem com a estiagem. Carlos Pereira, que investiu cerca de R$ 12 mil em sua plantação de tomates, viu a maior parte da sua safra ser comprometida. “Se essa seca continuar, não vou conseguir produzir mais nada”, preocupa-se.
Diante deste cenário alarmante, o Governo de Roraima decretou situação de emergência em setembro e formou um gabinete voltado para a coordenação do combate aos incêndios florestais. O coronel Cidinei Lima da Silva, diretor executivo da Defesa Civil Estadual, alerta que um fenômeno El Niño mais intenso pode agravar ainda mais a situação. Ele informa que já há municípios em estado de emergência e que o governo está enviando materiais de combate ao fogo.
Os dados são preocupantes: em outubro, o estado registrou cerca de 360 focos de calor, próximo do recorde histórico para o mês. Para mitigar os danos, equipes estão orientando os produtores sobre os riscos do uso do fogo para limpeza de terrenos, uma prática que se torna ainda mais arriscada em tempos de seca.


