quarta-feira, 04/11/2026

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Diário de Boa Vista

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Pai e filho são investigados por suspeita de homicídio de jovem em caso relacionado a crenças indígenas na região

Um crime brutal chocou a comunidade indígena Caracanã em Uiramutã, no norte de Roraima, nesta terça-feira (3). Um homem de 63 anos e seu filho, de 25, foram detidos como suspeitos do assassinato de…

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Um crime brutal chocou a comunidade indígena Caracanã em Uiramutã, no norte de Roraima, nesta terça-feira (3). Um homem de 63 anos e seu filho, de 25, foram detidos como suspeitos do assassinato de José da Silva Santana, de 25 anos. Segundo informações da Polícia Militar, ambos confessaram o ato e alegaram acreditar que a vítima era o temido “canaimé”, figura folclórica indígena associada a poderes malignos.

A crença no canaimé é profunda entre os indígenas da região. Este ser é visto como um agente do mal, capaz de se tornar invisível e de se transformar em animais, utilizando feitiços e venenos para causar danos a seus alvos. A brutalidade do crime em questão foi alarmante: José foi assassinado com tiros, facadas e teve sua cabeça decapitada. Para piorar a situação, os suspeitos ainda atearam fogo no corpo da vítima.

A apreensão de uma espingarda e uma foice na residência dos acusados, além de uma faca encontrada no local do crime, evidencia a gravidade da situação. A Polícia Militar foi acionada após receber denúncias sobre o assassinato e, ao chegar na comunidade, foi guiada por moradores até o corpo de José, onde confirmaram o homicídio e iniciaram as buscas pelos suspeitos.

De acordo com os depoimentos dos acusados, a tragédia começou quando tentaram levar José da comunidade Flexal, mas ele teria tentado escapar, o que resultou em sua morte. Informações da PM indicam que a narrativa dos suspeitos foi corroborada por vídeos que eles mesmos gravaram e compartilharam em grupos de WhatsApp. Em um desses vídeos, José admite ser o canaimé e afirma ter a capacidade de se transformar em animais.

A Polícia Civil de Pacaraima foi acionada por volta das 20h de terça-feira, e a perícia, junto ao Instituto Médico Legal (IML), chegou ao local na quarta-feira (4) para dar continuidade às investigações. O caso foi registrado como homicídio qualificado, motivado por crenças supersticiosas e fúteis, e a comunidade ainda se recupera do impacto desse crime horrendo.

Crédito da imagem: Armas apreendidas pela Polícia Militar