Um incêndio devastador consumiu mais de 400 hectares de vegetação e destruiu uma importante criação de abelhas na zona rural de Boa Vista, mais precisamente na região do Truaru. O fogo teve início quando um veículo atolou em um barranco, e o calor do escapamento entrou em contato com o capim seco, provocando uma rápida propagação das chamas.
A situação em Roraima se agrava devido à intensa seca que o estado enfrenta, exacerbada pelo fenômeno El Niño. Com isso, já são mais de 2,2 mil focos de calor registrados em 2026. Em resposta ao cenário crítico, o governo local declarou estado de emergência e suspendeu as autorizações para queimadas por 15 dias, na tentativa de evitar novos desastres.
O proprietário do Apiário Freitas, o apicultor Anderson Pereira de Freitas, viveu momentos de desespero enquanto tentava salvar seu trabalho. Ele relatou que, após o veículo ficar preso, as chamas rapidamente atingiram não apenas o carro, mas também a carrocinha que transportava 20 caixas de abelhas. “Vi que não tinha mais o que fazer e que precisava preservar a nossa vida”, desabafou, expressando a dor de ver todo o seu esforço ser consumido pelo fogo.
O incêndio isolou Freitas de seus colegas de trabalho por cerca de duas horas, bloqueando a única rota de saída. Ele estima que o prejuízo total pode variar entre R$ 60 mil e R$ 70 mil, incluindo a perda do veículo e da produção apícola. Apesar da tragédia, o apicultor demonstrou força ao afirmar: “O negócio é erguer a cabeça, ir para cima e recuperar o que foi perdido”.
O Corpo de Bombeiros de Roraima foi acionado e, segundo o tenente Leandro Gentil, o incidente representa um “prejuízo sem precedentes, tanto na natureza como em bens materiais”. Ele reforçou a necessidade de cautela entre os moradores da região, pedindo que evitem qualquer uso do fogo até que a proibição seja revogada. “Esse é um momento delicado no estado”, concluiu o tenente.



