Na última quinta-feira (29), a Universidade Federal de Roraima (UFRR) foi palco do lançamento de duas obras do professor Edival Braga, que abordam questões cruciais sobre o relacionamento entre os empreendimentos e as comunidades indígenas. O evento, realizado no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF), teve a participação especial do escritor e ambientalista Ailton Krenak, que trouxe à tona reflexões sobre a forma como encaramos o desenvolvimento na Amazônia.
Krenak enfatizou a importância de repensar o conceito de progresso, destacando que é fundamental respeitar e valorizar as comunidades que habitam os territórios afetados por grandes obras. “Nós precisamos aprender a nos envolver com os ambientes em que vivemos”, afirmou, ressaltando que a dignidade das populações indígenas deve estar em primeiro plano nas decisões que afetam suas vidas.
As obras lançadas, “Teoria da Natureza Jurídica da Consulta aos Povos Originários” e “Estudo do Caso da Obra de Interligação de Roraima ao Sistema Nacional de Energia Elétrica”, discutem a obrigação de consultar as comunidades indígenas antes de implementar projetos que impactem suas terras. Um exemplo disso é a recente conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional, que ocorreu após um acordo com os Waimiri Atroari, permitindo a passagem de torres por seu território.
O líder Yanomami Davi Kopenawa também marcou presença no evento, enfatizando a necessidade de união entre todos os povos do Brasil. “Precisamos unir o indígena ao não indígena, ao estrangeiro; estão todos espalhados, então precisa unir”, disse, reforçando que o diálogo é essencial para evitar conflitos e promover a harmonia social.
Em sua fala, Edival Braga deixou claro que seu trabalho é pautado no respeito à voz dos povos indígenas. Ele se posicionou sobre o que acredita ser uma abordagem mais sensível ao tema, afirmando que “ao invés de falar de desenvolvimento, vamos falar sobre envolvimento”. O professor, que é procurador de Roraima e advogado tributarista, frisou que é fundamental ouvir e dar espaço para que as comunidades falem por si mesmas.
Com essa iniciativa, a UFRR não apenas promoveu o lançamento de livros, mas também abriu um espaço para um debate necessário sobre a relação entre desenvolvimento e os direitos dos povos originários, um tema que continua a ser urgente em nossa região.



