No último sábado (17), um episódio lamentável aconteceu na Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. Um grupo de aproximadamente cinco pessoas invadiu os blocos de Direito e do Centro de Ciências Humanas (CCH), interrompendo aulas e retirando materiais informativos e políticos afixados nas paredes. A ação, conforme relatos, foi justificada pelos invasores como uma tentativa de fiscalizar a propaganda político-partidária na universidade.
De acordo com a Polícia Militar, os indivíduos começaram sua ação no prédio de Direito, onde removeram uma bandeira de um movimento estudantil antifascista. Um servidor da UFRR, que presenciou a cena e preferiu não se identificar, afirmou que a bandeira não continha nenhuma propaganda, apenas a frase “Alunos da UFRR antifascismo”. O grupo, então, seguiu para o CCH, onde hostilizou servidores e continuou sua coleta de materiais informativos. “Eu disse a eles que não podiam agir daquela forma. Se há algo errado, devem acionar o TRE”, comentou o servidor.
O clima ficou tenso, com o servidor suspeitando que dois integrantes do grupo estivessem armados. A equipe de segurança da UFRR rapidamente acionou a polícia. Quando os representantes do grupo foram abordados, afirmaram que estavam ali para “fiscalizar” a propaganda política dentro da instituição. A Polícia Militar entrou em cena para mediar a situação, e após restabelecer a ordem, o grupo deixou o campus, com a bandeira devolvida.
Embora não tenha havido prisões, a ocorrência foi registrada na delegacia como conflitos diversos. A Polícia Civil, por sua vez, informou que já existem vários boletins de ocorrência relacionados ao caso, que estão sendo investigados. A UFRR, quando procurada, não se manifestou até a última atualização.
Coincidentemente, o evento ocorreu um dia após outra polêmica na universidade, onde estudantes do curso de Direito denunciaram o deputado estadual reeleito Marcinho Belota e a ex-candidata a deputada federal Athally Albuquerque por rasgarem panfletos informativos. Eles alegaram que os materiais sobre o presidenciável Flávio Bolsonaro eram “fake news”. O pedido dos deputados para retirar os panfletos foi negado pela reitoria da UFRR, que defendeu a legalidade da divulgação.
Em nota, a UFRR expressou seu repúdio a qualquer ato de invasão ou depredação, reafirmando que a universidade é um espaço para divergências políticas, mas não tolerará intimidações ou destruição de patrimônio, reafirmando seu compromisso com um ambiente democrático.



