sexta-feira, 30/10/2026

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Diário de Boa Vista

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Investigação revela cobrança de propina por servidores na fronteira de Roraima com a Guiana

Um esquema de corrupção na fronteira entre o Brasil e a Guiana, em Roraima, levantou suspeitas sobre a conduta de agentes da Receita Federal. Dois servidores da instituição, junto com três cúmplices, são investigados…

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Um esquema de corrupção na fronteira entre o Brasil e a Guiana, em Roraima, levantou suspeitas sobre a conduta de agentes da Receita Federal. Dois servidores da instituição, junto com três cúmplices, são investigados por exigirem propinas de comerciantes para facilitar a entrada de mercadorias estrangeiras sem a devida fiscalização.

As investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que os pagamentos, que variavam de R$ 200 a R$ 10 mil dependendo do tipo de veículo, eram realizados via Pix para contas de terceiros, tornando mais difícil o rastreamento das transações. O esquema foi desmantelado na Operação Zaqueu, que ocorreu na manhã desta terça-feira (20), resultando em cinco mandados de busca e apreensão.

Os investigados incluem Oberdan Santana de Melo, apontado como líder da quadrilha, e Inês Buckley da Silva, que supostamente cobrava diretamente os comerciantes. Além deles, outros indivíduos foram identificados como operadores financeiros e intermediários, com um deles atuando como “batedor” na travessia das cargas irregulares.

A Receita Federal se manifestou, afirmando que está acompanhando as investigações e que não tolera desvios de conduta. Os servidores públicos afastados enfrentarão um período de 120 dias fora de suas funções e poderão ser punidos se as irregularidades forem confirmadas.

O funcionamento do esquema era metódico: os agentes monitoravam motoristas frequentes que atravessavam a fronteira e, usando fotos e vídeos, intimidavam os viajantes a pagar subornos. Após o pagamento, eles informavam o momento em que a fiscalização seria suspensa, permitindo que os veículos cruzassem a ponte sem passar por inspeção.

Comunicações entre os envolvidos, incluindo mensagens que utilizavam a função de visualização única, ajudaram a manter o sigilo das operações. Documentos e registros financeiros obtidos pela PF indicam que pelo menos R$ 25 mil foram recebidos por Inês em transferências relacionadas às travessias irregulares.

Com a operação em andamento, a população local aguarda mais informações sobre o desfecho desse caso, que expõe a fragilidade dos controles na fronteira e a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa para coibir práticas ilícitas que afetam a economia da região.