A Polícia Federal (PF) está no encalço de um caso polêmico envolvendo a Universidade Federal de Roraima (UFRR), onde um deputado estadual e uma blogueira de direita são investigados por sua participação em invasões e destruição de materiais no campus. O Ministério Público Eleitoral (MPE) formalizou o pedido de investigação, que envolve os políticos Marcinho Belota (PL) e Athally Albuquerque (Republicanos), além de apurar uma série de possíveis crimes ocorridos no local.
Na última sexta-feira (16), a situação ganhou contornos dramáticos quando o deputado e a blogueira invadiram o bloco de Direito, rasgando panfletos elaborados por estudantes. No dia seguinte, outro grupo, supostamente armado, entrou na UFRR, interrompendo aulas e intimidando servidoras ao retirar cartazes de um movimento estudantil. Essas ações levantaram sérias preocupações sobre a segurança e a liberdade de expressão dentro da universidade.
O MPE elencou cinco possíveis crimes que podem ter sido cometidos, incluindo constrangimento ilegal, dano qualificado e perturbação do serviço público. O promotor Marco Antônio Bordin solicitou à PF que interrogue os envolvidos e colete depoimentos de testemunhas, como alunos e professores que estavam presentes durante os episódios.
Em resposta à situação, o deputado Marcinho Belota se mostrou “ansioso” para que as investigações avancem, insinuando que o MPE estaria “assumindo a culpa” ao alegar que alguém se responsabilizou pela destruição dos panfletos. Ele e Athally, por sua vez, negaram qualquer invasão, afirmando que estavam seguindo orientações de um setor jurídico da UFRR.
Além disso, a reitoria da universidade foi notificada e terá um prazo de cinco dias para explicar se havia alguma autorização para a distribuição dos panfletos, que, segundo o MPE, respeitavam a legislação eleitoral. Vale lembrar que a UFRR já havia negado um pedido anterior para a retirada desse material.
Os relatos de um grupo armado no sábado aumentaram a gravidade do caso, levando a universidade a solicitar reforço na segurança, com apoio da PF e da Polícia Rodoviária Federal. A instituição repudiou as invasões, classificando-as como atos de intimidação e violência, e reafirmou seu compromisso com a proteção da comunidade acadêmica.
A situação é um claro reflexo das tensões políticas atuais e levanta questões sobre a liberdade de expressão e o ambiente democrático nas instituições de ensino. A UFRR, assim como outras universidades do país, está no centro de um debate acirrado sobre política e educação, e a comunidade acadêmica aguarda ansiosamente desdobramentos desse caso.



